Quem nunca ouviu falar da genialidade poética de Vinícius de Moraes. Uma alma lírica que tinha “a passionalidade dos românticos, a espiritualidade dos simbolistas, a habilidade dos parnasianos e a liberdade dos modernos” segundo o poeta Manuel Bandeira. Um “poeta aprendiz” que sabia como ninguém conjugar a arte de ser catimbeiro, boêmio e safo com a arte de ser fino, elegante e gentil.

O que poucos sabem é a paixão de Vinícius pelo cinema. Ele tributava ao cinema o título de “Musa das Imagens”. Defendia solenemente o cinema como “meio de expressão total em seu poder de transmissão e em sua capacidade de emoção”. O seu fascínio pelo mundo da sétima arte era tamanho que ele aceitou o convite tentador de escrever uma coluna diária de cinema no jornal A Manhã na década de quarenta.

No “Livro de Sonetos”, podemos encontrar um poema brilhante de Vinícius que reverencia a memória do cineasta Sergei Eisenstein. Prestando uma homenagem ao talento inovador de Eisenstein, ele produz um tríplice soneto que exalta o legado revolucionário do diretor russo. Segue o trecho em que Vinícius glorifica a magia do cinema:

O cinema é infinito – não se mede.
Não tem passado nem futuro. Cada
Imagem só existe interligada
À que a antecedeu e à que a sucede.

O cinema é a presciente antevisão
Na sucessão de imagens. O cinema
É o que não se vê, é o que não é
Mas resulta: a indizível dimensão.

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