“Ter sensações na terceira pessoa, ser estrangeiro de si mesmo, voyeur dos próprios atos e de suas tristezas”, a frase de E.M Cioran me venho a mente tal logo acabou o filme “ Os famosos e os duendes da morte”.
A falta de pertencimento a uma estrutura que o mundo impõe é a causa da agonia sufocante que o protagonista sente, é através de suas relações virtuais que contemplamos o desnudamento de todos os sentimentos causadores de seu sofrimento, Mr. Tambourine Man (seu nick name) possue a consciência da gratuidade da existência humana.
A busca de um sentido que possa sustentar a própria vida (no caso dele um show de Bob Dylan) pode se tornar inalcançável…despertando desta forma a elucidante pergunta: a vida vale a pena ser vivida?
O sentimento angustiante de existir pulsa na tela o ambiente nebuloso e bucólico de uma pequena cidade da Serra Gaúcha reforça o estado de melancolia em que se encontram os habitantes, ato do suicídio é uma força constante na cidade (ás vezes até atraente). Os personagens não se encontram em uma lógica de vida, não há raciocínios que possam validar a existência.
O diretor Esmir Filho realiza um retrato pungente da existência humana, com pouquíssimos diálogos (porem brilhantes) o cineasta busca no silencio das cenas demonstrar a solidão inscrita na inanidade do desespero humano.
É uma pena que uma obra desta profundidade, feita artesanalmente tenha ficada apenas duas semanas em cartaz, a reflexão no cinema está sendo deixada de lado para que se possa adentrar os exemplos de superação e de redenção.

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