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Quando escuto este soneto ocorre algo que está acima da minha capacidade de colocar aquilo que sinto na tríade corpo, alma e coração. Em resumo: Uma grande mistura de sentimentos.

Vininha pede desta forma a Tom Jobim: Gostaria que você colocasse uma melodia neste soneto.
Tom Respondeu: Sim, e tomou muito cuidado para deixar a simplicidade e a perfeição daqueles versos não serem atrapalhados pela música, o resultado é surpreendente, um junção que nos leva a uma fusão de sentimentos…  não sei se choro ou se dou um sorriso, Não sei se calo ou se grito. é visceral, é delicado, é apenas Tom Jobim e vinicius de Moraes.

Soneto da Separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Abaixo um vídeo de Tom e Elis interpretando o poema citado acima.

Até Mais!

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1. Dois Barcos
2. Primeiro Andar
3. Fez-Se Mar
4. Paquetá
5. Os Pássaros
6. Morena
7. O Vento
8. Horizonte Distante
9. Condicional
10. Sapato Novo
11. Pois é
12. É de Lágrima

O que dizer sobre o Disco “4″ dos Hermanos? é um disco diferenciado, é de uma sonoridade muito boa, mostrando realmente a tendência hermaníaca. O disco nem de longe lembra o primeiro albúm dos Los Hermanos lançado em 1999, 9 anos depois o que vejo é, na minha opinião, uma banda amadurecida que buscou o som que queria para si, e apesar do primeiro albúm ser muito bom (assim como todos que foram lançados), creio que o amadurecimento e a identidade musical da banda veio com o álbum “ventura” e se consolidou agora com o “4″.
Acho que o disco “4″ não supera a obra prima dos los hermanos que é o 3º albúm da banda (Ventura), porém este último disco tem suas particularidades como por exemplo a épica horizonte distante, música que aparentemente foge conceitualmente do álbum, mas que na minha opinião é essencial para que este albúm seja o que é. A música é cantada por Marcelo Camelo e escrita pelo mesmo as guitarras distorcidas e um teclado melancólico são as marcas principais desta música que mostra na minha opinião uma constante onde não podemos em momento algum deixar de enxergar o horizonte, mesmo que este horizonte esteja distante. E ele sempre estará.
Temos entre outras “O vento”, cantada pelo Amarante e que felizmente foi a música de trabalho, eu particularmente acho que é uma música gostosa de se ouvir além de ter sido muito bem escrita.
Além destas duas músicas supracitadas destaco também Dois Barcos e Fez-se Mar, ambas do Marcelo camelo e que mostram toda a potência que camelo tem para compor são letras dignas de um grande compositor da MPB. E para terminar destaco mais duas músicas que são Paquetá e Morena, acho que estas letras destacam um lado mais descontraído e menos sério da banda, e apesar de ser uma música mais descontraída a letra não deixa por menos pois são muito bem escritas e dizem muito.
Por estas músicas já dá para ter uma boa noção do que é o álbum, não citei algumas músicas mas isso não significa que não sejam boas, o álbum em si é ótimo e realmente vale a pena conhecer.

Espero muito que a banda retome as atividades, pois além de ser ótimo para a música nacional, será ótimo para mim também que sou fã de carteirinha.

Abraços.

1958– Pontuamos aqui o ínicio da Moderna Música Popular Brasileira.
Bossa Nova!

O grande marco da modernização da Música Brasileira vem com este ritmo que denominado de Bossa nova mostra que a revitalização da música era inevitável e que após “Chega de Saudade” ficou impossível imaginar a orla de ipanema com outra trilha sonora que não fosse a batida magistral de João Gilberto, A deliciosa poesia de Vinicius de Moraes e a genialidade do grande Maestro Antonio Carlos Jobim.

Tom Jobim em entrevista ao crítico Tárik de Souza esclarece: “Inventei uma sucessão de acordes, que é a coisa mais clássica do mundo, e botei ali uma melodia. Mais tarde Vinicius colocou a letra. De certa forma sentindo a novidade que joão gilberto traria, talvez o poetinha tenha sido levado a intitular a música como Chega de Saudade disse Tom a Tárik.”

A música foi o estopim do que já vinha acontecendo de maneira mais singela; o amadurecimento da Bossa Nova se deu com a música “Chega de Saudade“, mas foi basicamente no apartamento de Nara que o grão da modernização da música tupiniquim começou a criar raízes, pois lá se reuniam músicos de grande qualidade como Roberto Menescal, Ronaldo Bóscoli, Carlos Lyra, Billy Blanc, Sérgio Ricardo a própria Nara Leão e outros mais.   

Antes ainda do apartamento de Nara Leão cantores como Dick Farney e Lúcio Alves aparecem com uma voz mais suave e uma canção mais minimalista do que se via naquela época em que o “vozeirão” era predominante. A música era calcada em vozes como a de Francisco Alves (que era intitulado como o rei da Voz),  Sílvio Caldas, Orlando Silva (O cantor das Multidões) entre tantos outros que marcaram aquilo que antecedeu a modernização da música brasileira  denominada como a “Época de Ouro” que dominou a década de 30.   

Voltando a Dick Farney e Lúcio ALves.   

Ambos tinham forte influência da música norte-americana pós-guerra, mas principalmente dick farney mostrava em sua música uma forte influência do Jazz Americano.   

Dick Farney

Dick Farney como dito anteriormente foi influenciado pelo pop e jazz americanos, Farney se tornou o pianista do grupo “Swing Maníacos, junto com seu irmão, o então baterista Cyl Farney. Na Rádio Mayrink Veiga ele teve o seu próprio show: Dick Farney, Sua Voz e Seu Piano e tocou no Cassino da Urca como crooner da Orquestra de Carlos Machado.Como cantor solista, a sua primeira gravação foi em 1946, interpretando samba-canção “Copacabana” ( João o Barro/Alberto Ribeiro), isso se tornaria um dos seus clássicos. Ainda em 1946, ele foi para os EUA tocar com Nat Cole, Bill Evans e David Brubeck. No ano seguinte, ele teve uma outra temporada, tocando durante dois meses na rádio NBC e fazendo shows ao vivo em Hollywood, Chicago e São Francisco.   

Já Lúcio ALves começou a participar de programas de rádio, como cantor e radio-ator. Nos anos 40 criou o grupo Namorados da Lua, em que era cantor, violonista e arranjador. O conjunto gravou alguns discos e foi popular até sua dissolução, em 1947, quando Lúcio Alves partiu para carreira solo. Ainda adolescente começou também a compor, tendo feito em parceria com Haroldo Barbosa a obra-prima “De Conversa em Conversa”. Mais tarde, com o mesmo parceiro, emplacou “Baião de Copacabana”. Lançou o primeiro disco individual em 1948, com um bolero (“Solidão”, versão de Aloysio de Oliveira para “Tres Palabras”, de O. Ferrez).   

Lúcio Alves

No início dos anos 50 tornou-se um dos cantores mais populares do rádio, ao lado de Dick Farney, com quem gravou em dupla uma das primeiras composições de Tom Jobim e Billy Blanco, “Teresa da Praia”. Outros sucessos foram “Sábado em Copacabana” (Dorival Caymmi/ Carlos Guinle), “Valsa de uma Cidade” (Ismael Neto/ Antônio Maria), “Xodó” (Jair Amorim/ J.M. de Abreu). Em 1960 lançou o disco “Lúcio Alves Interpreta Dolores Duran”, em homenagem à cantora e compositora falecida no ano anterior. Na década de 60 gravou diversos discos de bossa nova, como “A Bossa É Nossa” e “Balançamba” (relançado em CD). Dessa fase bossa novas destacam-se suas interpretações para “Dindi” (Tom Jobim/ Aloysio de Oliveira), “O Samba da Minha Terra” (Caymmi), “Ah, Se Eu Pudesse” e “O Barquinho” (Roberto Menescal/ Ronaldo Bôscoli). Nos anos 70 trabalhou como produtor musical em emissoras de televisão, gravando esporadicamente.   

Assim surge a Bossa Nova, que como sabemos não tem seu início em Chega de Saudade, mas o que a música representa para a Bossa Nova é a disseminação do ritmo que com o passar dos anos, a bossa nova que no Brasil era inicialmente considerada música de “elite” (cultural), tornou-se cada vez mais popular com o público brasileiro, em geral.

Em 1962, foi realizado um histórico concerto no Carnegie Hall de Nova Iorque consagrando mundialmente o estilo musical. Deste espetáculo, participaram, entre outros, Tom JobimJoão Gilberto, Oscar Castro Neves, Agostinho dos Santos, Luiz Bonfá, Carlos Lyra, Sérgio Mendes, Roberto Menescal, Chico Feitosa, Normando Santos, Milton Banana, Sérgio Ricardo, além de artistas que pouco tinham a ver com a bossa nova, como o pianista argentino Lalo Schifrin.   

Espero que tenham gostado.

Até a próxima!   

Trilha Sonora:   
Chega de Saudade – João Gilberto (1598)
O Amor o Sorriso e a Flor – João Gilberto (1960)
Sergio Mendes & Brasil 66 –  Look Around (1968)   

Bibliografia:
SEVERIANO, J. Uma Histórioa da música popular brasileira – Das origens à modernidade. 1.ed. São Paulo,Editora 34, 2008.
MELLO, Z.H. SEVERIANO, J. A Canção no Tempo – 85 anos de Música Brasileira (1958-1985). Vol. 2. 5.ed. São Paulo,Editora 34, 2006.   

Olá a todos.
Hoje não falarei sobre música.
Falarei sobre o Banheiro do Papa.

Assisti este filme há algum tempo atrás e a propaganda feita por amigos sobre a película me criou grande expectativas sobre o que estava por vir ao apertar o play em meu DVD. O que vi? Uma fotografia muito bem feita, nada mais.
Claro que não vou cometer a injustiça de falar que o filme é ruim, ou que não merece ser assistido, mas ficou devendo em alguns aspectos e, como disse anteriormente, a fotografia, sim é muito boa. Mas de resto se perde um pouco e o filme acaba escorregando onde não devia.

Mas vamos lá.

O filme em si, aborda a historia que pretende contar de uma maneira bacana, os diálogos são interessantes e os momentos divertidos do filme nos levam a acreditar que ainda podemos dar boas risadas sem malícias.
E ai me perguntam: Pô, você não gostou do filme e até agora só falou bem do mesmo, qual é a sua? Pois bem, que me perdoem os mexicanos, mas o filme em sua dramaticidade chega bem perto dos dramalhões “Ticanos“, esbarra em querer mostrar toda a dor e todos os problemas que uma pequena cidade pode ter, alguns aspectos que não teriam a necessidade de estarem no longa-metragem acabam atrapalhando o desenrolar da história.

De tanto querer enaltecer cada personagem em particular o diretor (Cézar Charlone) acaba fazendo com que o filme tropece nas próprias pernas, e o que tinha tudo para ser um ótimo filme, acaba sendo apenas um filme regular, e isto porque há de se levar em consideração a boa atuação dos personagens e a ótima fotografia do filme.

Não achei um grande filme em todos os aspectos, e não posso dizer com clareza que gostei do filme.
Quem tiver uma opinião diferente sobre o mesmo, sinta-se a vontade para comentar 🙂

Abraços e até mais.