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Caminho. Faço a tarefa de dar cada passo. A estrada é longa, eu bem sei. Mas em cada passo há um mini caminho a ser percorrido. Em cada passo, o horizonte parece que fica mais próximo, mas revela outros horizontes. Resposta para minha pergunta traz outras perguntas, cujas respostas trarão mais perguntas. Entre pergunta e resposta, somente um coração e a angústia de sobreviver. Viver é belo, o sobreviver que é angustiante. Dilacera, corta a carne mais profunda da alma. A lágrima que escorre dos meus olhos é o sangue dessa carne da alma. A estrada é feita por passos que são micro- caminhos. Quem insiste em desconhecer os riscos de um passo, tampouco será digno dos riscos e da glória da estrada toda, conjunto dos pequenos passos. Em cada passo eu me fio e me afio, me penso e repenso. Em cada passo, misturo o caminhar e o repouso, a vida e a morte. Melhor ser o passo inteiro do que a estrada percorrida pela metade. Em cada passo, passo e me repasso. Que há de bom nisso? O meu auto-conhecer, o conhecer o mundo. Já que terei que me suportar pela vida inteira, nada mais justo do que me conhecer, conhecer como lidar melhor comigo mesmo. Para isso, é preciso saber olhar. Quantos lançam os seus olhares e não veem. Quantos lançam os seus olhares e não enxergam. Não é preciso mais tempo, pois o tempo está aí, é uma correnteza atemporal que é oferecida a todos. Que sofisma mais mediocre é esse de não ter tempo! É preciso vagar, é preciso disponibilidade. Ter um momento para sentir-se gente, ser humano, é tão salutar quanto ter um momento para a alimentação. Um olhar adentra a intimidade mais íntima de alguém. Porque ter medo de se olhar? Será o medo de se encontrar ou será o medo de se perder? O relacionar-se consigo é desdobramento do relacionar-se com as demais pessoas. Tente olhar para alguém sem maiores pretensões; verás um olhar se desviará do seu. Pode ser medo, pode ser indiferença. Se for medo, ainda sim é um tipo de relação que se estabelece que tem jeito de reversão. Se for indiferença, bem… a pessoa indiferente estabelece ao ser real a sua mais completa negação de ser alguém. Simula a não-existência de um ser real. Talvez também simule consigo mesma essa relação. Talvez negue a si próprio a possibilidade de refletir sobre si mesmo, sendo indiferente a essa possibilidade e, por efeito cascata, se alastra no lidar humano com as pessoas. O que falta é passo inteiro, olhar agudo!

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Nenhuma relação humana dura se não tiver o mínimo de reciprocidade. Aquele telefonema ainda está por acontecer, enquanto espero por ele. É mera possibilidade. Orgulho de dois, amizade para depois. Quando acaba a reciprocidade numa relação, só resta ser gratuitos, abdicar do orgulho estocado no coração para dar o primeiro passo. Ah, se os dois pensassem dessa maneira. As relações não seriam mera reciprocidade e coleguismo. Teria substância, largura, altura e profundidade. Confesso que já sofri demais com as amizades, ou por idealizar a pessoa demais, colocar altas expectativas, ou pela pessoa simplesmente agir na indiferença. Somos vítimas fatais da nossa própria expectativa. Fazemos as pessoas a nossa imagem e semelhança, e queremos que elas pensem, ajam, vivam como nós. Esses construtos de pessoas são cacos de vidros no embate com o real, quando nos damos conta de que o ideal que formulamos não corresponde o que se vivencia na prática. O que fazer? Se livrar de uma vez das expectativas? Talvez não seja a maneira mais inteligente, se admitirmos que seja impossível viver sem possuir expectativas. Mas, examinando bem as relações humanas, as expectativas poderiam ser um pouco mais baixas. Isso traria como principal vantagem o conhecimento concreto e real da pessoa, sem utopias inocentes e ilusões que enquadram as pessoas ao nosso jeito de ser. Outra vantagem é que abriria espaço para a pessoa ser quem ela é realmente, sem máscaras. Abriria espaço para surpresas boas ou más. Poderíamos até nos decepcionar, mas não tanto assim, a ponto de levar à depressão e dependendo, até a morte. Quantos casos desses não há? Quantos encontros marcaram a minha vida… encontros que me encontrei, encontros que me desencontrei, desencontros que me encontrei, desencontros que me desencontrei. Sou uma intersecção viva de encontros que a vida me proporcionou. Isso me faz ser um ser relacional. Mas quantos ao se apropriarem disso, se transformam de seres relacionais para seres relativos, cuja teleologia é buscar o que a pessoa tem para oferecer e não por ela mesma. Tornam-se banais, medíocres, utilizam os outros somente para seus fins egoístas e convenientes. Seres que potencializa ao máximo o usar o outro como um simples objeto, um copo descartável, que depois do uso, já não presta para mais nada, a não ser o lixo. Nossas relações humanas estão assim há muito tempo. E nós, somos cada vez mais seres relacionais ou seres relativos? Enquanto o ser utilitário perpassa as relações humanas, a modernidade diz: Amém! Até quando?

Fonte: http://ricardoferrara.blogspot.com/

Gosto de tratar sobre as relações humanas, que hoje em dia, deixaram de ser humanas. As relações humanas estão mais alicerçadas no ‘puxa-saquismo’. Isso vem de muito tempo, de longa data, desde os primórdios da humanidade. Interessante observar que essa história de ‘puxar o saco’ se tornou evidente, quando algum homem teve poder sobre outro. O sonho secreto dos homens é de algum dia chegar ao poder, exercer o poder sobre um grupo de pessoas. Analisemos um pouco a figura do bajulador. Seria um malandro, um oportunista, um dependente afetivo-compulsivo ou um ‘inocente’ útil. O malandro e o oportunista fazem dessas relações um jogo. Tudo o que dizem, pensam, suas atitudes são adequações circunstanciais, dê preferência para agradar ao seu superior. Alguns têm êxito nessa relação virtual, outros não resistem às nuances traiçoeira dos interesses da relação. Quero me centrar nas figuras do dependente afetivo-compulsivo, ‘inocente’ útil. E ocorre um fenômeno muito interessante nessa época embebida pela pós-modernidade: uma relação que perdura somente pela égide da utilidade, faz com que o indivíduo massacre a sua personalidade e subjetividade. Ter as mesmas opiniões do chefe, tanto em termos profissionais quanto em termos pessoais. O indivíduo aceita tudo, é um humano buraco negro que vai recebendo tudo o que vem pela frente. Dizem que esse século XXI é caracterizado pela depressão, pela solidão. Vejo uma aglomeração humana desumanizada e desumanizadora. Massa amorfa, sem vida. Como até as relações humanas se objetificaram, parece que para o indivíduo pós-moderno, um moderno mais modernizado, não é mais possível se encontrar não tendo interesses que o interessem. Por falar nisso, me deu saudade de sentar com amigos em um bar e não ver o tempo passar. Apreciar suas presenças mais do que qualquer coisa que poderiam me oferecer, deu saudade…